Boas,
Chegou o momento de fazer uma retrospectiva à nossa viagem e às sensações que tivemos ao estar em locais de tamanho significado histórico.
Chegados ao aeroporto Charles de Gaulle era tempo de levantar a viatura e fazermo-nos à estrada para os 300 Km que nos separam da Normandia.
O local escolhido para a SAG HQ foi Colleville-sur-Mer, num camping com acesso directo a Omaha Beach e muito próximo do cemitério Americano.

Como a noite estava prestes a cair só deu para um reconhecimento motorizado das redondezas onde. mesmo no escuro, nos apercebemos da morfologia do terreno e daquilo que nos esperava nos dias seguintes.
Começámos o primeiro dia em Ste. Mére Église, a primeira cidade libertada em França, pela 82nd Airborne.

A catedral mantém a sua traça original onde um manequim representa o soldado John Steel, preso numa das torres pelo seu páraquedas, capturado depois pelos Alemães e libertado mais tarde.
O local onde no dia 5 Jun 1944 a casa foi incendiada pelos bombardeamentos é hoje o fantástico Airborne Museum.
A quantidade de lojas de militaria ao redor da praça é uma coisa do outro mundo, quase porta sim porta sim. Nestas lojas é possível adquirir de tudo um pouco, desde material original (uiiiii os preços, uma MG42 custa perto de 3000 euros) a réplicas perfeitas.
Depois seguimos para Ste. Côme-du-Mont, outro local de extrema importância para os Aliados, dada a sua localização.

Este edifício servia como posto de controle e hospital, utilizado pela 6th FJR, conhecidos como os Green Devils.
Este ponto demorou dias a ser tomado pela 101st Airborne, permitindo que as tropas de Utah Beach pudessem apoiar a 82nd em Ste Mere Eglise.
Este local tem o nome de Dead Men's Corner pois o primeiro Sherman a entrar no perímetro foi alvejado e o seu comandante ficou dias pendurado pela torre do tanque.
De seguida efectuámos uma passgem por Brecourt Manor. Um local famoso pela captura das peças de artilharia alemã pela Easy Comp. Vejam a série Band of Brothers.

O terreno, actualmente, serve de pastoreio e tudo foi retirado, não se vendo qualquer vestígio de uma batalha, para além do pequeno memorial à "E" Comp.
Próximo rumo, Utah Beach.

Pelo aspecto do terreno e pelas defesas instaladas percebe-se o porquê deste ponto não ter sido problemático para os Aliados.
A praia não muito grande, as elevações não são muito acentuadas e as defesas muito dispersas.
O museu de Utah é moderno, mas aquando da nossa visita muitas zonas encontravam-se interditas por causa das escavações que ainda hoje decorrem.
Depois, Pointe-du-Hoc.
Aqui o cenário é assustador.
Assustador ver que não há um metro de terreno que não tenha uma cratera.
Assustador o estado em que ficaram os bunkers.
Assustador a altura da falésia.
Assustador !
Pena que o local esteja um pouco ao abandono.

O segundo dia foi passado na zona de Omaha Beach.

Estando lá percebe-se perfeitamente o que terá acontecido na manhã do dia 6 Jun 1944.
A estensão de praia, a distância da linha de água até ás dunas e as defesas instaladas explicam o porquê de tamanha carnificina.
Passar este ponto só foi mesmo possível graças ao número de tropas aliadas desembarcadas e à coragem dos soldados.
A maior parte das guarnições rendeu-se depois de se acabarem as munições e estarem em grande desvantagem numérica.
Andar por aquela praia e olhar os bunkers à nossa frente carrega-nos um peso enorme nos ombros e faz-nos pensar o quanto o homem consegue ser horrível para com o seu semelhante.
Estar dentro de um bunker e olhar a praia faz-nos perceber o quão difícil aquele dia deve ter sido para ambos os lados.
O cemitério alemão, em La Cambe é discreto, com campas rasas e algumas cruzes em granito negro.

Contrastando com a imponência do Americano.

O silêncio impera nos dois lados. Estes pagaram o preço mais alto da guerra.
De seguida a viagem continua pela visita às defesas alemãs.
Das baterias de artilharia pouco resta pois muitas peças foram destruídas pela engenharia aliada e os bunkers e trincheiras enterradas.

Ainda hoje alguns locais se encontram em recuperação.
É expressamente proíbido tomar banho em toda a linha de costa da Normandia tal é a quantidade de destroços ainda na água.
Por muitos locais existem avisos para, caso se encontrem engenhos, não mexer e contactar as autoridades.
Para o último dia guardámos o sector Inglês e Canadiano onde visitámos a ponte Pégasus e o famoso Café Gondreu a primeira casa libertada em França.

A ponte, actualmente é uma réplica mais moderna da ponte original, que se encontra em exposição no museu Pégasus.
De seguida passámos por Port-en-Bessin o primeiro óleaduto Aliado.
Cidade capturada pelos Royal Marine Commandos no dia 6 e que serviu de porto de abastecimento de combustível.

Em 1961 esta cidade serviu de cenário para as filmagens do filme O Dia Mais Longo, onde o Cmd. Kieffer dos comandos franceses tomou de assalto o Casino Riva Bella de Ouistreham.
Vendo a cena do filme verificamos que esta zona pouco ou nada mudou.
Por último a cereja em cima do bolo.
Ouistreham Grand Bunker.

Este edifício foi tomado pela infantaria inglesa e servia como posto de observação e controle de algumas baterias da Muralha do Atlântico.
Por dentro o edifício mantém-se intacto pois não houve derramamento de sangue no seu interior.
Depois da engenharia inglesa ter conseguido chegar à porta principal e a ter dinamitado, a guarnição rendeu-se.
E assim se passaram cinco dias de história ao vivo.
Durante o fim-de-semana pudemos constatar que aquela malta tem uns hobbies interessantes.

Trajam a rigor, tiram as viaturas da garagem e passeiam-se pelas vilas e aldeias.
As armas não disparam PVC, não estão pintadas e não se vê o tão aclamado "alarme social".
Outras terras, outros costumes.
Um abraço
Falker